segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Fábio Carvalho - Amigo


O Fábio é aquele cara obsessivo. Faz com esmero e perfeccionismo tudo aquilo em que se mete. Não à toa, é um publicitário como poucos, ou quase nenhum, além de outros tantos talentos.

Certa vez conversávamos sobre o final de semana e eu disse: fui mergulhar. E comecei a resenha sobre mergulho autônomo, navegação em Natal, essas coisas. Ouviu atento, perguntou algumas coisas, passou.

Tempos depois o encontro e dispara: comecei a mergulhar. Começou é forma de dizer. Em pouco tempo já era dive master, muito melhor mergulhador do que eu, registrando em fotos e filmes incríveis o que via no mar, cheio de equipamentos e sabedoria sobre o assunto.

Agora estou pensando em botar pilha para ele abrir um e-commerce ... A Amazon que se cuide!



Zé Mauro Nogueira




Histórias sujas!!!




Como não consigo mais escrever nada, eu leio. E, vez por outra, me cai algo nas mãos que só é possível definir de forma clássica: puta que pariu!

É assim. Emprestei tempos desses dois livros para meu amigo Fábio Carvalho. Tanto gostou que, em gratidão, os devolveu com um presente: Trilogia Suja de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez.

Entre os livros que eu lhe havia emprestado estava Animal Tropical, do mesmo autor, que tinha me impressionado pelo retrato duríssimo de uma Havana nem sequer imaginada. Mas nada se compara a esse Trilogia.

Não sou crítico de nada, muito menos literário. Aliás, sou do tipo que acha que arte não merece julgamento, apenas se gosta ou não. E do texto do Pedro Juan eu gosto muito.

Para quem gosta de ler bem escritos, fica a dica. E a inveja.


Zé Mauro Nogueira

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Oh, vida!!!

Enfim, chegou! Sou agora um homem de 50 anos! Meu Pai ... quanta vida!!! A sensação que me domina hoje é de gratidão, além  da impressão de que tenho muito mais sorte que juízo.

Sorte ou benção, sei lá. Mesmo não sendo um homem de religião, sou um homem de fé. Chego aos 50 anos saudável, vivendo dignamente, pleno de sentimentos e de esperança, querido por um punhado de gente muito bacana, gente parceira desta existência rocambolesca. 

Deitado na rede, contemplo a noite de S. M. do Gostoso, escuto música, ouço meus amigos falando, meu filho tá por ali ... a vida parece serena e boa enquanto os grilos barulham e vem o cheiro de comida da cozinha.

Mesmo com tudo que perdemos pelo caminho, aos 50 me sinto mais inteiro do que nunca! 

Zé Mauro





quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Viver é desenhar sem uma borracha


Como dizem os MadDogs, viver é desenhar sem uma borracha. Não dá para voltar atrás, não dá para desfazer o que está feito, não dá para retirar palavra dita. E Deus pode até abrir uma janela quando se fecha uma porta, mas esta, uma vez fechada, não torna a abrir.

E aprendi isso da única maneira possível: sofrendo por uma porta que eu mesmo fechei cometendo erros que não poderia ter cometido. É a vida impondo limites, dizendo não, ensinando que há coisas que não se pode mesmo fazer, que há coisas delicadas que se quebram para sempre.

Confesso que custei a aprender. Jovem, sempre achei que tudo tinha jeito, que sempre conseguiria o que eu queria, que sempre haveria uma forma de consertar as coisas. Até o primeiro e peremptório "não".  A partir daí entendi: bem vindo à vida adulta, onde tudo tem um preço e consequência.

Às vésperas de completar 50 anos, reflito sobre a vida mais do que de costume. Não buscando um sentido, mas buscando compreensão, que, para mim, é o próprio sentido. Aprender me parece ser o propósito. As escolhas e suas renúncias, os equívocos e suas dores, os amores e suas decepções, os medos e desejos, tudo parte de um processo de aprendizado intensivo e incessante.

E apesar de ter vivido tanto, ainda me surpreendo com a vida, que sempre traz algo novo. Tudo para que possamos continuar aprendendo, crescendo, evoluindo. Não importa se temos 50 anos ou 18.

Tornar-me mais independente e verdadeiramente livre para escolher faz parte do que ainda pretendo. Que todos possamos buscar a capacidade de escolher libertos de compulsões, vícios, medos, padrões de comportamento condicionados e auto destrutivos. Que possamos nos fazer inteiros, plenos de nós mesmos e capazes de amar verdadeiramente e não apenas desejar.

E que as linhas que traçamos sejam cada vez mais firmes, belas e autênticas, desenhadas com a sabedoria que a vida nos permite buscar.


Zé Mauro



terça-feira, 3 de julho de 2018

Liberdade?


Poucas ideias são tão defendidas, valorizadas e promovidas quanto a liberdade. Na política, na sociologia, na psicologia, nas artes, na mídia, nos negócios (principalmente nos negócios!), enfim, ser livre é um dos valores mais cultuados da humanidade.

Nada contra! Pelo contrário. Comungo do entendimento que ser livre é condição sine qua non para a possibilidade de uma plena existência humana. O que me estarrece, contudo, é a ideia de liberdade que predomina hoje em dia: a possibilidade de alguém fazer exatamente o que lhe convier.

Liberdade não é isso. Não pode ser isso. Ser livre não é ter a possibilidade de fazer tudo o que lhe der na telha. Isso é mero exercício de vontade, manifestação de capricho e, muitas vezes, compulsividade. Porque se estou condicionado a fazer algo, então não tenho realmente uma escolha.

E liberdade é, sim, a possibilidade de escolha. O que implica, necessariamente, em responsabilidade. Cada escolha traz em si uma consequência e uma renúncia. Uma pessoa é tão mais livre quanto mais puder escolher como quer ser, verdadeiramente, desde que suas ações não atinjam o direito do outro, do coletivo. Agir de acordo com sua vontade sem se preocupar com o que virá de seus atos não é ser livre, é ser leviano, egoísta, irresponsável e inconsequente.

Contudo, essa ideia equivocada de liberdade parece ser cada vez mais dominante. O liberalismo mal interpretado parece ter trazido em si a semente dessa distorção, embora não a tenha formulado, à medida em que coloca o indivíduo como centro da vida, e não mais a sociedade.

A mídia e as manifestações culturais cultuam o “direito” de fazer o que quiser, de consumir o que quiser e como quiser, de viver como quiser, sem deter-se em limites quaisquer que sejam.

Penso que esse é um equívoco fundamental e pode ajudar a explicar, em parte, a crise moral desta nossa sociedade, essa sensação de “não tem mais jeito” que nos assola.

Enquanto não entendermos que o comportamento individual é limitado pelo interesse coletivo, que há limites para cada um, não conseguiremos começar a construir uma alternativa verdadeira. Enquanto acharmos que a culpa é do outro, dos políticos, dos empresários ou do vizinho, não teremos a menor chance.



Zé Mauro Nogueira